domingo, 25 de outubro de 2009

domingo, 25 de outubro de 2009


Reverência e a busca pela paz.

Hoje, quero falar de reverência. NO dicionário significado da palavra reverência é dado como: reverência

Significado de reverência

s.f. Respeito profundo, acatamento, consideração.

Veneração ou respeito às coisas sagradas.

Cumprimento respeitoso; saudação respeitosa, acompanhada de inclinação do tronco para a frente ou de flexão dos joelhos; vênia, mesura: fazer uma reverência.

Vossa Reverência, tratamento que se dava aos religiosos das ordens mendicantes.

E é por isso mesmo que vejo importância em falarmos de reverência. Nos dias atuais, as vezes, falar de respeito já é dificil, e, talvez o nosso problema é que apenas respeito não constrói relações duradouras e pacíficas.

Creio que tem faltado a todos nós a reverência. Não aquilo que se chama reverência a um Deus exterior, mas reverência mesmo aquele divino que existe em nós. Na correria do dia-a-dia, poucas vezes paramos para reverenciar a natureza, não olhammos nosso próximo,nossos filhos, amigos, parentes com reverência. Temos dificuldade de parar, pois, necessitamos correr desesperadamente, em busca de algo que nem ao menos sabemor por que.

O ato de reverência exige uma parada, exige reflexão, exige ver, perceber, olhar mais de uma vez. Exige sentir o outro que existe em nós para que possamos sentir o nós que existe no outro.

A reverência é o ato essencial a percepeção da beleza. Talvez por isso os atepassados viam na reverência um passo primordial na adoraçao a Deus. Era pela reverência que se unia à Divina Providência.

Reverenciar é ter respeito profundo, é olhar para alguma coisa como única. È dar um valor incomensurável, é olhar profundo com os olhos da alma.

Nos dias de hoje, umas das coisas que precisamos reverenciar é a busca pela paz, ou a paz em si. O mundo está turbulento, os valores estão invertidos, o ser humano está espremido entre o ter e o ser, sendo que o ter está confundindo a mente de muitos.

Em tempos nos quais se reverenciar o ter,o consumir, o viver na correria, é preciso reverenciar a serenidade, a tranquilidade, a natureza, a paz de um lado cercado pela tempestade turbulenta.

Hoje, lutar pela paz é retomar o direito de reverenciar o bem, o amor, a força, a sabedoria e a beleza.É tempo de ouvir o cantar dos passáros, de sentir a brisa a nos tocar de leve ao corpo em dias de calor.

É tempo de permitir falar o Deus que existe em nós.

sábado, 24 de outubro de 2009

Os Fenômenos mentais e psíquicos.

Hoje na palestra de abertura feita pelo Frater e Grande Conselheiro José Gonzaga sobre os Fenômenos mentais, foi interessantes as informações passadas ao público sobre isso que o mundo chama de paranormalidade.
Em tempos que as pessoas usam e abusam dos poderes mentais para os fins mais escusos, que bom seria se todas as pessoas conhecessem a força que tem a telepatia, e o quanto é comum o uso da mesma para manipular, dominar e escravizar as pessoas. Quantos casamentos seriam preservados, quantas familias não seriam desfeitas, se ao menos soubessemos proteger a nós e aos nossos amados das influências maléficas daqueles que não tem outro objetivo na vida do que continuar perdidos e sem saber para onde ir.
Do mesmo modo, quanto ganharia a luta pela paz se conhecessemos os poderes da psciocinese, da vibroturgia, do desdobramento espiritual e tantos outras possibilidades já admitidas pela ciência.
O que nos ensina a lei da relativade? o que nos ensina a antimatéria?
Será que não é chegada a hora de disponibilizar tais conhecimentos para a massa da humanidade e assim contribuir para evolução de toda a humanidade?

Na palestra da Soror Maria do Socorro tivemos a oportunidade de conhecer a história de inúmeros homens que sonharam e lutaram por um mundo de maior paz e de fraternidade. Dos muitos citados, tenho especial admiração por Nelson Mandela, Martim Luther King, Jesus, Ganhdi, Sidarta Guatama. O que fica, no entanto, é que precisamos fazer mais do que conhecer a luta pela paz, temos de nos envolver nela, nos comprometer com ela.
Lembra-me aqui a história do ovo, da galinha, do porco e do sandwuiche de Salame. A galinha está ali, sempre envolvida, mas o porco, o porco não, está sempre comprometido. Creio que na luta pela paz temos de nos compremeter, começando pela nossa familia, nossa cidade, nossos amigos, nossos queridos. E assim, envolver e nos compremeter com a paz de toda a humanidade.

São exemplos de homens assim, como Spencer Lewis  que dedicaram suas vidas a luta da grande obra, a grande missão de ajudar a humanidade em sua evolução que deve nos mover para adiante.

Lembra-me aqui um exemplo que ao meu ver não pode ser esquecido. Henry Ford. Sua idéia de produzir para as massas, para melhorar a vida de um grande número de pessoas não pode ser visto a não ser como um dos modelos que podemos contribuir para o avanço da humanidade.O trabalho, a luta material terá mais sentido se começarmos a pensar em fazer tudo sempre com um objetivo implícito de melhorar a vida das pessoas.

O Cosmos nos agradeçerá.
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Pensamentos sobre a vida

sábado, 24 de outubro de 2009

Paz, Fraternidade e Mistiscismo

Neste fim de semana participei da VI Convenção Regional da Rosacruz, Região GO I que engloba Goiás, Distrito Federal e Tocantins. Foi uma ótima oportunidade para conhecer novos irmãos, vivenciar palestras maravilhosas sobre a paz, a fraternidade e o mistiscimo, temas do encontro.

O que está ficando para mim, ( a convenção só termina neste domingo as 18 horas), é que o mundo realmente precisa trabalhar mais pela paz, pela fraternidade e pelo misticismo. O mundo atual está por demais conflituoso, e, precisamos entender que a paz está dentro de nós, e que começa em nossa família.

Começando em nossa família se estende para o nosso grupo de amigos, local de trabalho, nossa cidade, estado país. Só a medida que vivemoso e nos integramos na humanidade inteiro poderemos aprender o significado da paz e da fraternidade.

Na palestra de abertura a mensagem do Frater Hélio Moraes e Marques nos ensinou sobre nossa busca interior, por meio da seguinte Parábola:

Certa vez um boneco de sal queria entender o que era o mar. Então todos os dias pedia ao seu dono que o levasse ao mar. O dono relutava, imaginando o que poderia acontecer, mas a cada dia o boneco de sal insistia mais. Ao final, vencido pela insistência o dono o levou para conhecer o mar.

Ao chegar ao mar o boneco desce do carro, começa a andar pela praia, olhar para o mar embevecido. Ainda não entende, embora maravilhado que estava, o que era o mar.

Então caminha, caminha em direção ao mar. Coloca o pé no mar, e percebe que os seus pés se desfazem, mas não o seu desejo de compreender totalmente o que era o mar. E continua, e continua, e quanto mais sente o seu corpo se diluindo no mar, vai compreendendo o que era o mar.

De forma súbita, uma onda, uma grande onda o traga totalmente e o seu dono escuta um grito: - Agora entendo o que é o mar, o mar sou eu.

Creio que esta parábolal ilustra bem a busca dos rosacruzes, mas pode ilustrar muito mais. Ilustra a busca de todo ser humano pelo amor, pela amizade. O amor, a amizade e todas as virtudes morais, intelectuais e espirituais está como uma semente dentro de nós. Basta que a deixemos nos envolver como o mar, nos diluir, nos tornar uno com os nossos irmãos.Como saber da amizade, se não nos deixarmos nos envolver pelo ser amigo? Comco sentirmos o valor da amizade quando não somos capazes de correr nenhum risco pelos nossos amigos? Como entender e sentir o amor sem capacidade de nos doar?



A busca da felicidade neste mundo conflituoso e em transformação passa pos nos deixar envolver pelas virtudes que estão dentro de nós. Passa por nos integrar fraternalmente com os nossos irmãos de todos os cantos do planeta. E isso, significa sair de nossa clausura de egoísmo, orgulho, mequinhez, e tantas outras situações que nos prende a matéria vil e ignomiosa.



Não teremos paz e dignidade se não formos capazes de nos deixar sentir e nos envolver pelos nossos irmãos. Temos de aprender a vivermos a felicidade com dignidade.



Nelson Soares dos Santos é estudioso da Rosacruz AMORC

domingo, 12 de outubro de 2008

Código Rosacruz de Vida

Código Rosacruz de Vida


I -
Pela manhã, antes de levantar, agradece ao Deus do teu coração, o novo dia que te é dado viver no plano terreno e pede-lhe que o inspire ao longo desse dia. Depois, de pé e voltado para o Leste, fazer três respirações profundas, concentrando-te na vitalidade, que é despertada em ti mesmo. Feito isto, beber um copo d`água e dar início às tuas tarefas.

II-
Apesar das vicissitudes e das provações que a vida comporta, considera-a sempre como o mais precioso bem que o Cósmico outorgou ao ser humano, pois ela é o suporte de tua evolução espiritual e a fonte da felicidade a que aspira. Neste particular, considera teu corpo como o templo de tua Alma e cuida dele o melhor que puderes.

III-
Reserva, se possível, em tua casa um lugar para prece, meditação e estudo dos ensinamentos de nossa Ordem. Faze dele o teu oratório particular, o teu Sanctum, e conserva-o livre de toda preocupação e de toda atividade profana.

IV-
Antes de cada refeição, dá graças a Deus pela chance que tens de te alimentares, e pensa em todos aqueles que não têm o privilégio de saciar sua fome. Se estiveres sozinho ou na companhia de outros membros da Ordem, coloca as mãos sobre o alimento, com as palmas voltadas para baixo, e fazendo mentalmente, ou em voz alta, a invocação simbólica: "Que este alimento seja purificado e magnetizado pelas vibrações que emanam de minhas mãos, a fim de que ele supra as necessidades do meu corpo e da minha alma. Que todos aqueles que têm fome estejam associados a esta refeição e participem espiritualmente de seus benefícios. Assim Seja!"

V-
Sabendo que o objetivo de todo ser humano é de se aperfeiçoar e de se tornar melhor, faze constantes esforços para despertar e expressar as virtudes da Alma que o anima. Ao faze-lo estarás contribuindo para tua evolução e servindo à causa da humanidade.

VI-
Durante o dia, isola-te por alguns instantes, de preferência no Sanctum, e irradia pensamentos de amor, harmonia e saúde para toda a humanidade, em particular para todos aqueles que estejam sofrendo, física ou moralmente. Pede também a Deus que os ajude em todos os aspectos e os preserve o quanto possível das tribulações da vida.

VII-
Comporta-te de tal maneira que todos aqueles que compartilham de tua vida ou vivem em teu contato, sintam em teu exemplo o desejo de se assemelharem contigo. Guiado pela voz de tua consciência, que tua ética seja a mais pura possível e que tua preocupação primeira seja sempre de pensar bem , falar bem e agir bem.

VIII-
Sê tolerante, defendendo o direito à diferença. Nunca uses a faculdade do julgamento para censurar ou condenar a outrem, pois tu não podes ler os corações e as almas. Considera os outros com benevolência e indulgência, atento para o que haja de melhor neles.

IX-
Mostra-te generoso para com aqueles que estejam passando necessidades ou que sejam menos favorecidos do que tu. Todo dia procura realizar pelo menos uma boa ação para outrem. Seja qual for o bem que faças a alguém, não te vanglories disso, mas agradece a Deus o ter permitido contribuir para o seu bem-estar.

X-
Sê moderado em teu comportamento e evite os extremos em tudo. Demonstra temperança, seguindo o reto caminho do meio em toda circunstância.

XI-
Se ocupas um cargo de poder, não te glorifiques disso, nem te deixes arrebatar pela influência que esse cargo te permita exercer. Nunca o empregues para forçar alguém a fazer coisas que reprovas ou que sejam injustas, ilegais ou imorais. Assume-o com humildade, colocando-o a serviço do bem comum.

XII-
Escuta os outros e fala com o devido conhecimento de causa. Se tiveres de fazer uma crítica, faze com que ela seja construtiva. Se te pedirem opinião sobre um assunto que desconheças, admite humildemente tua ignorância. Nunca te permitas recorrer à mentira, à maledicência ou à calúnia. Se ouvires declarações maldosas a respeito de outra pessoa, não as reforce com a tua condescendência.

XIII-
Respeita as leis do teu país e te esforces para ser um bom cidadão. Lembra-te sempre de que é na evolução das consciências que se encontra a chave do progresso humano.

XIV-
Sê humanista e considera a humanidade inteira como tua família. Além de tua raça, de tua cultura e de tuas crenças, todos os seres humanos são teus irmãos e irmãs. Merecem, por conseguinte, o mesmo respeito e consideração.

XV-

Considera a natureza como o mais belo santuário e a expressão da Perfeição Divina na Terra. Respeita a vida em todas as suas formas, vendo os animais como seres, não apenas seres vivos, mas igualmente conscientes e sensíveis.

XVI-
Sê sempre um livre pensador. Reflete por ti mesmo, nunca pensando conforme a opinião dos outros. Além disso, dá a todo mundo a liberdade de pensamento; não impões as tuas idéias a outrem e considera sempre que elas são susceptíveis de evoluir.

XVII-
Respeita as crenças religiosas ou filosóficas, desde que não atentem contra a dignidade humana. Não apóies nem abones o fanatismo ou o integrismo, em qualquer que seja a forma. Na maneira de viver tua fé, cuida para não seres dogmático ou sectário.

XVIII-
Sê fiel às tuas promessas e aos teus compromissos. Quando deres tuia palavra, atribui-lhe um caráter sagrado e compromete tua honra através dela. Se tiveres de prestar juramento, faze-o pensando na Rosacruz, símbolo do seu ideal ético, e lembra-te de que toda mentira de tua parte traz conseqüências cármicas. Com efeito, se é possível enganar os teus semelhantes, ninguém pode se subtrair à Justiça Divina.

XIX-
Se teus meios o permitirem e o desejares, traze teu apoio material à Ordem, a fim de ajuda-la em suas atividades e contribuir para sua perenidade.

XX-
Como o objetivo da Ordem é contribuir para a elevação das consciências e transmitir seu ensinamento secular, sabe estar disponível para apresentar seus ideais e sua filosofia àqueles que estejam em busca de conhecimento, sem jamais tentar convence-los.

XXI-
Nunca deixes alguém supor que os membros da Ordem são sábios e detentores da verdade. A quem te perguntar, apresenta-te antes como um estudioso ou um buscador da Sabedoria. Nunca pretendas ser um Rosacruz, e sim um neófito em via de aperfeiçoamento.

XXII-
À noite, antes de adormecer, faze um balanço do dia que estarás terminando, vendo o que foi construtivo ou não. Em tua alma e consciência, julga o que pensaste, disseste e fizeste ao longo desse dia. Tira disso lições úteis para tua evolução espiritual, tomando boas resoluções. Feito isto, irradia pensamentos positivos para toda a humanidade e depois confia tua Alma a Deus.

sábado, 20 de setembro de 2008

Rousseau e a Vida Moderna - O que um buscador pode aprender

Introdução

Que contribuições o pensamento de Rousseau pode trazer para nos ajudar a compreender a atualidade? Esta foi a questão que esteve em nossa mente durante a realização deste estudo e escrita deste pequeno texto. Não tem ele o objetivo e nem a pretensão de aprofundar a interpretação do pensamento do autor, tão somente, a partir da leitura dos seus textos buscar refletir sobre a atualidade, buscando compreender o homem, a vida em sociedade, e os problemas enfrentados pela sociedade moderna. Desta forma procura trazer uma visão geral da vida e do pensamento de Rousseau em dois dos seus aspectos que consideramos como preponderantes: a política e a Educação.
Rousseau foi um pensador do Iluminismo, mas concordamos com aqueles que já escreveram, que ele foi um Iluminista a parte. Se seu pensamento foi um dos pilares da Teoria Política e Educacional moderna, não se pode dizer que ele tenha contribuído para o fundamentalismo da razão iluminista que se instalou na pós-modernidade. Talvez o que o afastou dos demais iluministas foi justamente a visão futura da realidade, quando percebia pra onde a razão iluminista poderia direcionar os acontecimentos do mundo.
O homem de vida controvertida, que não cuidou dos filhos, que teve várias amantes, é o mesmo homem que escreve um dos maiores tratados de Educação de crianças na atualidade, e responsável pela revolução no conceito de criança que existia desde Pitágoras. Enquanto este pensava que a infância durava até os vinte anos de idade, ele dividiu o desenvolvimento humano em um maior número de fases, ao todo cinco: lactância de 0 a dois anos; infância de dois a doze anos; adolescência de 12 aos 15 anos; mocidade dos 15 aos 20 anos; e a partir dos vintes anos início da vida adulta.
No campo da Teoria Política não foi menor sua contribuição. Suas duas obras mais conhecidas, “ O contrato Social”, e “O discurso sobre a origem e os fundamentos das desigualdades entres os homens” lançou as bases da Democracia representativa, alimentos os ideais dos revolucionários franceses, influenciou o pensamento constitucional de Americanos, belgas, alemães, e Mexicanos dentre outros, ainda vigentes na Era Moderna. Era um liberal, fez uma escolha pelo liberalismo radical, no qual a liberdade do homem está acima de todas as convenções. É pro isso que se diz que caso ele estivesse vivo durante a revolução francesa certamente estaria ao lado de Robespierre e não ao lado dos moderados Girondinos.
Tendo influenciado a Revolução Francesa influenciou toda Teoria do Direito no Ocidente, o que hoje conhecemos como “Direitos Humanos” tem origem e fundamento nas idéias de Rousseau. Os fundamentos, sobretudo das constituições modernas, não seria o mesmo sem Rousseau e Montequieu. É na grandeza e na profundidade deste pensamento que queremos encontrar elementos explicativos de nossa realidade do Século XXI, em um momento em que a violência parece espalhar por todas as classes sociais, por todas as raças, países e faixas etárias. Em um momento no qual a própria humanidade encontra-se ameaçada pelo desenvolvimento da indústria, do capitalismo e de todas as idéias que prenunciavam uma era de ouro, mas que no final das contas fez aumentar o artificialismo, o amparar-se nas aparências, tornando a felicidade humana na terra uma quimera.

ROUSSEAU – O HOMEM.

Muitas biografias foram escritas sobre Rousseau, e ele mesmo escreveu suas “Confissões”. A nossa intenção é apenas pontuar algumas questões sobre sua vida e não uma pesquisa acurada dos fatos que a marcaram. Para isso será privilegiado aqueles pontos, que julgamos tiveram influência decisiva na construção do seu pensamento que, até os dias atuais, influencia as ações de políticos, educadores e filósofos.
Rousseau nasceu em Genebra, na Suíça em 28 de julho do ano de 1712. Ao longo da sua vida foi filósofo, teórico político, escritor e compositor musical auto-didata. Foi um dos mais ilustres pensadores do século XVIII, tendo sido considerado um dos Fundadores do Iluminismo e percursor da Filosofia Moderna, como também percursor do romantismo.
Dono de uma biografia agitada, Rousseau foi certamente o produto do seu tempo, no qual participou dos mais variados acontecimentos em vida, uma vez tendo passado pela transição suas obras se encarregaram de continuar influenciando o destino da humanidade de forma tão presente quanto em sua vida. Do ponto de vista da História do Misticismo, cabe lembrar que o nascimento de Rousseau deu-se quase 100 anos depois do primeiro manifesto publicado nas ruas de França pelos Rosacruzes. Jean Starobinski em sua obra “Rousseau: A transparência do obstáculo” ao esquadrinha o pensamento e a vida de Rousseau afirma que o mesmo realizou uma tentativa de purificar o conhecimento das cinzas da religião e do misticismo. Para este autor, a reflexão de Rousseau foi amarga pois ele teve de afrontar a perda de um mundo de transparência e ser condenado a viver em mundo regido pela propriedade e pelas Instituições.
O objetivo principal do pensamento de Rousseau foi esquadrinhar o homem em suas relações sociais, humanas e espirituais. Queria ele trazer luz aqueles que viviam nas sombras da ignorância e não compreendia como viver a vida, enfrentar a vida em um mundo onde se parecia viver o tempo todo acorrentado, pelas relações sociais, familiares e pelas instituições. Acorrentado pelas obrigações sociais e ao mesmo tempo sentindo-se abandonado pelas Instituições, é o que o mostra a sua infância. Tendo nascido de uma família simples, o pai era um relojoeiro, e mãe filha de uma pastor de Genebra, perdeu sua mãe logo ao nascer, seu irmão mais velho abandonou o lar um pouco depois, e, finalmente, após ver seu pai entrar em choque com as leis e costumes da cidade é deixado com seu Tio Bernard, um militar linha dura, do qual Rousseau pouco fala em suas confissões.
Não teve Educação regular, senão por poucos períodos, mas lia muito, e, durante algum tempo foi educado por um Pastor Protestante nos arredores de Genebra. Pouco se sabe sobre as tais leituras de Rousseau durante sua infância, no entanto, há de se depreender que tais leituras muito influenciaram a construção do seu pensamento posterior.
Tendo problemas de adaptação à sociedade ainda na infância, inclusive apanhado praticando pequenos roubos, aos dezessete anos perde pela terceira vez seguida o toque de recolher, e, não querendo ser punido por tal ato de desobediência social foge da sua cidade natal. Ao pedir ajuda a um padre católico este o encaminha a uma jovem senhora comprometida a ajudar os peregrinos com a pensão que recebida do Rei.
Com esta senhora, mais velha, ele vive durante dez anos, a quem chama de mãe, e também de amante. Anos depois vai para um seminário católico e abjura a fé prostestante, mas apesar disso, não se liga a ninguém e nem a nada. Anos depois volta a Anecy, e vive com Louise como amante até 1740. Neste período lê e começa a escrever muito, e, certamente prepara as bases do que será as linhas mestra do seu pensamento. Junto com outros Iluministas, sobretudo Diderot, Voltaire e D”alembert, escreve o verbete sobre música para a enciclopédia, embora, logo depois vai distanciar destes pensadores vivendo incidentes desagradáveis sobretudo com Hume e com Voltaire, este último torna público o abandono dos filhos por Rousseau.

Rousseau – O pensador Político.

O Principio fundamental de sua obra é a idéia do “Bom selvagem”. Segundo Rousseau, o homem nasce bom, a sociedade o corrompe. O homem nasce livre, a sociedade o acorrenta. Em sua primeira obra “ Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens” ela coloca ambos os princípios já de forma clara. Para ele, existe dois tipos básicos de desigualdades: uma natural, e outra, provocada pela forma e método pelos quais a sociedade se organiza.
Escritor perspicaz, não deixa de lado nenhum detalhe e assim inicia o capitulo dois da obra citada onde explica a origem do segundo tipo de desigualdade:
“O primeiro que tendo cercado um terreno se lembrou de dizer: isto é meu, e encontrou pessoas bastantes simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: Livrai-vos de escutar este impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra de ninguém”. Parece, porém, que as coisas já tinham chegado ao ponto de já não poder ficar como estavam: por que esta idéia de propriedade, dependendo muito de idéias anteriores que só puderam nascer sucessivamente, não se formou de repente no espírito humano; foi preciso fazer muitos progressos, adquirir muita indústria e luzes, transmiti-las e aumentá-las de idade em idade, antes de chegar a este último termo do estado de natureza”
Rousseau não escreve apenas como um homem que deseja esclarecer as pessoas de seu tempo, escreve com quem viaja ao passado mais remoto, e pretende ficar para um futuro longínquo. Assim percebe que a idéia da propriedade privada, fundamento do seu pensamento para explicar as desigualdades entre homens, é uma idéia que nasceu há séculos ou milênios passados, que se desenvolveu furtivamente nos corações dos homens, e, que uma vez tendo mostrado o seu aspecto pernicioso, já era tarde demais para ser detida. Discorre então, o Genebrino sobre os sofrimentos causados pela desigualdade, e sobre como a idéia da propriedade privada se imiscui nos corações humanos, criando opressores e oprimidos, súditos e senhores, homens livres e escravos, e, Governantes e Governados.
Primeiro, a terra que se torna propriedade privada, depois, a própria desigualdade natural que deveria ser o móvel da união entre os homens torna-se o espaço do jogo para a conquista do poder. O lado mais simples do ser humano, a beleza, a graça, o talento é afetado pela nova idéia que se surge, levando o homem a perder-se ainda mais no labirinto da busca de si mesmo. As leituras feitas da obra de Rousseau que não levam em conta a preocupação profunda que o move perde de vista o aspecto mais profícuo de seu pensamento – ajudar o homem a diminuir o sofrimento enquanto se vive na matéria. Ele não perdeu de vista os aspectos mais simples da vida cotidiana, as relações mais singelas, antes eram nelas que ele buscava o sentido mais profundo da existência humana, as marcas e causas do sofrimento e as possibilidades da felicidade plena. Expressa Rousseau:
“Eis todas as qualidades naturais postas em ação, o lugar e a sorte de cada homem estabelecidos, não somente sobre a quantidade dos bens e o poder de servir ou de prejudicar, mas sobre o espirito, a beleza, a força ou a habilidade, sobre o mérito ou os talentos; e, sendo estas qualidades as únicas que podiam atrair consideração, logo foi preciso tê-las ou afetá-las. Foi preciso, para vantagem própria, mostrar-se diferente daquilo que se era de fato. Ser e parecer tornaram-se duas coisas inteiramente diferentes; e, dessa distinção, surgiram o fausto imponente, a astúcia enganadora e todos os vícios que constituem o seu cortejo”.
Descortina-se, pois perante a mente de Rousseau como o desenvolvimento da sociedade civil leva ao surgimento de todos os tipos de sentimentos entre os homens, sobretudo os sentimentos da astúcia, a inveja, o desejo oculto de tirar proveito a custa de outrem e todos os males que advém quando o ser humano entende que é necessário ser velhaco, artificioso para garantir a sobrevivência. Os sinais de riqueza tornam-se sinais de distinção social e moral, levando aqueles que nada possuem a uma situação extrema de não ter-se nada a perder. O mal que de um lado incentiva aos mais fortes à exploração, força os fracos ao assalto, ao roubo e a delinquência. Instala-se a violência, e, pois a necessidade de um pacto social.
Em sua obra seguinte “ O contrato Social” o pensador Genebrino parece continuar sua luta por compreender o homem de seu tempo. Tendo já compreendido que a sociedade civil, - por meio do seu fundamento, a propriedade privada – foi a causadora de grande parte dos males humanos, a fonte da corrupção do ser humano, compreende então que ao nascer o homem vem ao mundo em seu estado primitivo chamado por ele de Estado de Natureza. E assim exclama: “O homem nasceu livre, e por toda a parte geme agrilhoado; o que julga ser senhor dos demais é de todos o maior escravo”. Ora veja, não é com os fracos e oprimidos que nosso pensador está preocupado, pois para ele, o problema não é a existência dos fracos e oprimidos, pois os fortes e ricos são também escravos de uma ordem que a todos oprime. A preocupação é encontrar o caminho para romper este circulo vicioso, e a todos libertar de tal jugo ignominioso.
Compreendendo Rousseau que a vida não involui, procura agora a solução para que na nova situação da existência humana – a sociedade civil tendo como fundamento a propriedade privada – os homens possam viver em harmonia de tal forma a existir o respeito entre os pares, onde cada um se sinta protegido e a vida não se torna uma guerra de todos contra todos. Eis pois em suas palavras a tarefa a que ele se propõe:
“Achar uma forma de sociedade que defenda e proteja com toda a força comum a pessoa e os bens de cada sócio, e pela qual, unindo-se cada um a todos, não obedeça todavia senão a si mesmo e fique tão livre como antes”.( p. 30)
Convencido de que o homem não está mais só no mundo, Rousseau busca na força da sociedade entre os homens, o caminho para solucionar os males provocados pelo nascimento da sociedade civil. Não podendo mais viver isolado, propõe ele o “Pacto Social”, ou “Contrato Social”, fruto de uma vontade geral constituída pela doação da vontade de cada um.
“ A natureza do ato determina de tal sorte as cláusulas do contrato, que a menor modificação as tornaria vãs e nulas; de modo que, não tendo sido talvez nunca em forma anunciadas, são por toda a parte as mesmas, por toda a parte admitida tacitamente e reconhecidas, até que, violado o pacto social, cada um torne a entrar em seus primitivos direitos e retorne a liberdade natural, perdendo a liberdade de convenção, à qual sacrificou a primeira.( ...) A alienação total de cada sócio, com todos os seus direitos, a toda a comunidade, pois, dando-se a cada um por inteiro, para todos é igual a condição, e, sendo ela para todos igual, ninguém se interessa em torná-la aos outros onerosa.” ( p. 30 -31)
O homem que dedicou sua vida a buscar uma forma de libertar o homem da opressão da vida na sociedade civil, pensa aqui ter encontrado uma grande solução, e, é a partir desta premissa que constrói todo seu pensamento político, e, mesmo os seus escritos sobre Educação. Do pacto social nasce o soberano particular, e a vida civil, e, da vida civil nasce o Contrato Social. Para que o pacto social tenha valor e constitua-se em Contrato Social é preciso que a vontade subjetiva dos cidadãos seja manifesta, para constituir-se a vontade geral, soberana sobre todas as vontades.
Eis que um problema surge na mente de Rousseau: estaria todos os homens no nível de inteligência necessária ao uso da razão e da inteligência para utilizar sua vontade particular, subjetiva de forma a construção de uma sociedade boa? Para isso, seria preciso que o homem tivesse suas faculdades desenvolvidas, idéias ampliadas, sentimentos nobres, de forma a não permitir em nenhum instante sua natureza retroceder ou degradar a condição de um animal estúpido e limitado, mas manter-se a dignidade do homem nobre e inteligente. Para ele, somente nesta condição de nobreza de sentimentos, de desejos e de alma, poderia o homem compreender por que deveria dar-se o melhor na construção da vontade geral, pois compreenderia assim o que ele estaria perdendo, e, muito mais, o que ganharia com tal perda ou alienação.
“ O que o homem perde com o contrato social é a liberdade natural e um direito sem limites a tudo que o tenta e pode atingir; ganha a liberdade civil e a propriedade de tudo quanto possui. Para não vos enganardes nessas compensações, cumpre distinguir bem a liberdade civil, que é limitada pela vontade geral; e a possessão, que é só efeito da força, ou o direito do primeiro ocupante, da propriedade que não pode ser fundada a não ser num título positivo” (p. 35).
Estava, pois, solucionado para Rousseau, os problemas da sociedade civil. Primeiro, buscava-se educar o homem para compreender a necessidade da construção de uma vontade geral, levando-o a entender que cada homem só tem direito àquilo que lhe é necessário; segundo, compreender que se deve respeitar não aquilo que é dos outros, mas tudo aquilo que não é nosso. Assim o contrato social, longe destruir a liberdade natural do homem, antes a confirmava e até mesmo a desigualdade natural existente entre eles:
“Em lugar de destruir a igualdade natural, o pacto fundamental substitui, ao contrário uma igualdade moral e legítima a toda a desigualdade física, que entre os homens lançara a natureza, homens que podendo ser dessemelhantes na força, ou no engenho, tornam-se todos iguais por convenção e por direito”(p. 37b).
Doravante em seus escritos, o pensador Genebrino passa a enumerar estratégias, proceder análises históricas de sociedade como Roma, Grécia, etc, bem como idéias de pensadores que o precedeu, para indicar como os governantes de uma sociedade fundada em um Contrato Social, ou seja, uma Democracia possa evitar a degenerescência da sociedade política e da vida civil. Chama a atenção, ao pensar os dias atuais, o tratamento dado a censura. Veja a conclusão do autor:
“Entre todos os povos do mundo, não é a natureza, e sim a opinião que decide a escolha dos homens, e seus costumes por si mesmos se hão de apurar. Nós sempre amamos o belo, ou o que tal se nos afigura; mas ao julgá-lo nos iludimos, e este julgar é que importa dirigir. Quem julga os costumes julga a honra; e quem julga a honra, recebe a lei da opinião.” ( p.116b)
Para o autor Genebrino, está ai, a necessidade da censura em uma democracia moderna. No entanto, no seu tempo, século XVIII, o mundo da informação não era elitizado como nos dias atuais. O desenvolvimento do capitalismo, o processo de globalização só intensificou o diagnóstico que ele fez de uma sociedade fundada na sociedade privada, e como ele, no passado percebeu, o instrumento principal utilizado para se criar valor tem sido os desejos humanos, a escolha dos prazeres , no qual a opinião pública tem um papel fundamental sobre os homens. Já percebida no século XVIII, a maldade criada por sentimentos e desejos de superioridade, da velhacaria, da artificiosidade que cria valor sobre as coisas naturais, sobre o belo, e sobre talentos, tem no controle da informação uma possibilidade imensa de influir nos rumos da sociedade e da vontade geral de uma nação, criando desenvolvimento, paz e prosperidade, ou de outro lado, violência, guerras, assassínios e escuridão.
Assim que sendo a religião um espaço de formação de opinião, fica entendido na sua obra que a melhor religião é a religião natural. Isto por que via a necessidade de colocar em cada homem a possibilidade de comungar diretamente com seu Deus, não havendo pois necessidade de ouvir nenhum outro, que não fosse este Deus a quem adorava. Tal religião evitaria que homens com sucesso e poder temporal maior que outros, induzissem a multidão ao erro, desviando do bem, e degenerando a vontade geral. Termina assim, o seu texto, pregando a tolerância a todas as religiões como forma de se manter o equilíbrio social e a vontade geral, ao mesmo tempo que prenuncia a necessidade da independência de cada um dos indivíduos quando da necessidade de manifestar sua vontade individual e subjetiva.

O pensamento político de Rousseau e a vida moderna

Se existe uma coisa que concluo cada vez que leio, releio, medito e reflito sobre o pensamento de Rousseau, é que, cada sociedade, grupo social, país, cidade, nação é um produto diretamente proporcional a qualidade dos seus membros. Não posso compreender outra coisa do Pacto ou Contrato Social. Esta compreensão se reforça ao ler as “Confissões”, “Profissão de Fé de um Vigário Saboiano”, e, “O Emílio”, sendo esta última sua obra mais densa para se entender o papel do individuo na construção da ordem social.
Esta conclusão tem uma consequência introspectiva, quando me ponho a pensar sobre a vida moderna, ou a racionalidade moderna como queira denominar. Um dos grandes méritos do Pensador Genebrino é justamente esse: provocar. Por isso mesmo, seu pensamento atravessou séculos e continua não apenas a provocar, mas sobretudo a explicar a sociedade e os homens.
Em seu tempo, suas obras foram renegadas, anos depois de sua morte era lido em praça pública, e, durante a revolução francesa com o sinônimo da necessidade da revolução social e politica, como instrumento de conscientização das massas, para que estas buscassem libertar-se dos grilhões que a oprimiam. Influenciou pensadores políticos do séculos seguintes, esteve presente na formação de várias democracias modernas, como a Constituição Americana de 1776, que tem como princípio a Tolerância Religiosa e a laicidade do Estado. O aprofundamento do pensamento deste homem levou-nos a democracia representativa junto com a evolução da humanidade, da interligação entres os estados e os homens, o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e do surgimento da revolução informacional que transformou definitivamente o método de formação da opinião pública, e, modificou a forma como se constrói desejos artificiais nos corações dos homens.
Desde que suas obras foram escritas o que era para ele pequenas sociedades, com a globalização, o desenvolvimento do capitalismo, o crescimento da artificiosidade entre os humanos tornou o planeta terra uma grande Sociedade Civil onde todos estão entrelaçados com todos. Hoje é um momento da história da humanidade em que a propriedade é quase a única norma definidora da riqueza , e, pode se dizer mais, que vivemos em uma época onde os sinais da riqueza estão tão profundamente ligados a matéria, e, desvinculado do espirito.
Entendido que a preocupação do Pensador Genebrino, era com a instituição da democracia, do contrato social levar o homem de volta ao seu estado de pureza e de crescimento intelectual, espiritual, físico e moral em plenitude, temos motivos para na atualidade olharmos com apreensão, e refletirmos profundamente sobre como romper com os males produzidos pela vida em sociedade. Educado por protestantes e, pelo que se tem escrito em suas biografias, não dado a reflexões místicas, Rousseau não ponderou sobre a influência da reencarnação, nem da vida após a morte sobre os rumos da democracia e das sociedades. Debruçou sobre o que acreditava ser o direito inalienável do homem – a liberdade politica, social, religiosa. Para ele, o homem nasce livre e deve ser essencialmente livre, e, se deve abrir mão de sua liberdade natural é unicamente com o objetivo de garanti-la em patamares superiores nos quais lhe propicie crescimento e desenvolvimento pleno.
Uma questão que certamente choca um estudioso deste autor na atualidade é a dimensão que a artificialidade tomou nas relações humanas. Hoje, quase nada é o que parece ser. O ser e as aparências se confundem de forma insofismável. É como se o verdadeiro Ser, estivesse nas profundidades do Eu de cada individuo, e que resta na sociedade é apenas um invólucro, uma falseamento da aparência do Eu. Desta forma, não se pode conceber em tal realidade nenhuma outra democracia que não seja um falseamento da realidade, ou mesmo, um falseamento das próprias aparências em um sobrepor infinito de artificialismos.
Apesar de a democracia ter se instalado, e, de alguma forma ter feito evoluir as relações entre os homens, pensando a partir da matriz rousseauniana, pode se dizer que, uma outra forma de escravidão ou acorrentamento se coloca sobre o homem pós século XXI. Este homem enfrenta o desafio de superar as diversas armadilhas das aparências, encontrar-se consigo mesmo, com sua vontade individual que o permita encontrar-se com o outro. O aprofundamento da artificialidade já denunciado no “Contrato Social”, gera na atualidade a maior forma de opressão, alimentada pela elitização do conhecimento, da informação útil e da compreensão da natureza.

1Texto escrito para realização de palestra na Loja Rosacruz Goiânia

2Nelson Soares dos Santos, é Pedagogo pela Universidade Federal do Tocantins, Mestre em Educação pela Universidade Federal de Goiás e Professor de Cultura e Currículo, e Politica Educacional na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba.

Níveis Evolutivos

“Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real (um verdadeiro Místico) e perguntou-lhe:


- Mestre, gostaria muito de saber por que a razão os seres humanos guerreiam –se e por que não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento entre si, por mais que preguem o amor e por mais que firmem abominar o ódio.

- Essa é uma pergunta muito séria. Gerações e gerações de seres humanos têm-na feito e não conseguiram uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo. A grande maioria da humanidade do planeta terra está vivendo, atualmente, no que chamaríamos nível 1. Muitos outros, no que chamaríamos de nível 2 e alguns outros no nível 3. Poucos, bem poucos, já conseguiram atingir o nível 4, mas somente agora, ao atingir este nível, estão vislumbrando a existência de outros níveis, alguns mais baixos e outros mais elevados. Pouquíssimos atingiram o nível 5, raríssimos o nível 6, e somente a cada milhar de anos surge alguém que atingiu o nível 7.

- Mas, mestre, que níveis são esses?

- Não adiantaria nada explicá-los, pois você, além de não entender direito minha explicação, por melhor que a conseguisse fazer, também, logo em seguida esqueceria. Assim, prefiro levá-lo, numa viagem mental, para realizar uma série de experimentos e aí, então, tenho certeza, você vivenciará tudo e saberá exatamente o que são esses níveis, cada um deles, nos seus mínimos detalhes.

Colocou, então, as pontas dos dedos na testa do consulente e, imediatamente, estavam em outro local, em outra dimensão do Espaço e do Tempo.

O local era uma espécie de bosque, e um homem se aproximava deles. Ao chegar mais perto, disse-lhe o Mestre:


- Dá-lhe um tapa no rosto.

- Mas por quê? Ele não me fez nada...

- Faz parte do experimento. Dê-lhe um tapa, não muito forte, mas dê-lhe um tapa!


E o homem aproximou-se mais do Mestre e do Consulente. Este chegou até o homem, pediu que parasse e deu-lhe um tapa que estalou. Imediatamente como se fosse de Mola, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos e o consulente foi ao chão por causa do inesperado ataque.

Instantaneamente, como num passe de mágica, o Mestre e o consulente já estavam em outro lugar, muito semelhante ao primeiro. Numa curva do caminho, aproximava-se outro homem. O Mestre, então, comentou:

- Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Foi ensinado a agir dessa maneira e esse ensinamento para ele é tudo, é o que norteia sua vida, é sua “muleta”.

Agora, você testará, da mesma maneira, o nosso companheiro que vem ali, do nível 2. Repita tudo. Dê-lhe também um tapa.


Quando o homem se aproximou, o consulente chegou perto dele, pediu-lhe que parasse e deu-lhe um tapa. O Homem ficou assustado, olhou para o consulente, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte.

Instantaneamente , já estavam em outro lugar e, igualmente, outro homem se aproximava deles. Comentou o Mestre:

- Agora você já sabe como reage um homem do nível 2. Pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida. Se se julgar mais fraco, não revidará imediatamente, pois irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de “muletas” usada pelo homem do nível 1. Só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida. Entendeu? Repita o mesmo com esse aí que vem chegando.

A cena repetiu-se. Ao receber o tapa, o homem parou, olhou para o consulente e assim falou:

- O que é isso moço?...Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra! Estou falando sério!

- Eu e o Mestre estamos realizando uma séria de experimentos e este experimento consta exatamente em fazer o que fiz, ou seja, bater nas pessoas para ver como reagem.

- E querem ver como reajo?

- Sim. Exatamente isso...

- Já reparou que isso não tem sentido?

- Como não? Já aprendemos ótimas lições com as reações de outras pessoas. Queremos saber qual a lição que você irá nos ensinar...

- Ainda não perceberam que isso não faz sentido? Por que agredir as pessoas assim, gratuitamente?

-Mas é esse, exatamente, o experimento!

- Certamente vocês possuem um pouco mais de imaginação. Por que não inventam outro teste, menos bárbaro do que este?

- Queremos verificar – interferiu o Mestre – as reações mais imediatas e primitivas das pessoas. Vocês tem alguma sugestão ou consegue atinar com alguma outra alternativa?

- De momento, não me ocorre nenhuma. De uma coisa, porém, estou certo: este é um teste bárbaro, pois agride os outros. Estou, realmente muito assustado e chocado com essa ação de vocês, que parecem ser pessoas inteligentes e sensatas. Certamente, deverá haver algo menos agressivo e mais inteligente. Não acham?

- Enfim – perguntou o buscador -, como você vai reagir? Vai revidar? Ou vai nos ensinar outra maneira de conseguir aprender o que desejamos?

- Já nem sei se continuo discutindo com vocês, pois acho que estou perdendo meu tempo. São dois malucos e tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar conversando com dois malucos. Afinal, meu tempo é precioso demais e não vou desperdiçá-lo com vocês.

Quando encontrarem alguém que não seja tão sensato e paciente como eu, aí sim, vão aprender o que é agredir gratuitamente as pessoas. Que outro, em algum outro lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço... São uns perfeitos idiotas...Imagine só, dar tapas nos outros...Besteira...Idiotice...Falta do que fazer... E ainda querem me convencer que estão buscando conhecimento... ”Picaretas”! Isso é o que vocês são! Uns “picaretas”! Uns charlatães!

Imediatamente, aquela cena apagou-se e já se encontravam em outro lugar, muito semelhante a todos os outros. Então, o Mestre comentou para o buscador:

- Agora, você já sabe como age um homem do nível 3. Gosta de analisar a situação, discutir pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma outra solução ou alternativa, pois ainda usa as mesmas “muletas” que os outros dois anteriores também usavam. Prefere deixar tudo “pra lá”, pois “não tem tempo” para se aborrecer com a ação, que prefere deixar para os “outros”. É um erudito e teórico que fala muito, mas age muito pouco e não tem nenhuma solução para qualquer problema, a não ser a mais óbvia. É um medíocre enfatuado, cheio de erudição, que se julga o “Dono da Verdade” e que se julga “Entendido”. É o mais perigoso de todos, pois costuma deter cargos e comandos, por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário (mais outras “Muletas”). Possui instrução e muita erudição. Já consegue ter um pouquinho de percepção das coisas, mas é somente isso. Ainda precisa de “muletas” para continuar vivendo, mas começa a perceber que talvez seja melhor andar sem elas. No entanto, por preguiça vital ou por mera e simples falta de força de vontade prefere continuar a utilizá-las. De resto, não passa de um medíocre enfatuado que sabe apenas argumentar e tudo criticar.

Vamos agora saber como reagirá um homem do nível 4. Faça o mesmo com esse que vem aí, pela estrada.

E a mesma cena repetiu-se

O caminhante olhou para o buscador e perguntou:

- Por que vocês fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendi você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo me bateu. Posso saber?

- Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada.

-Pelo visto, já realizaram este experimento com outras pessoas. Já devem ter aprendido muito a respeito de como reagem os seres humanos, não é mesmo?

- É...Estamos aprendendo um bocado. Qual será sua reação? O que pensa de nosso experimento? Tem alguma sugestão melhor?

- Hoje, vocês me ensinaram uma nova lição e estou muito satisfeito com isso e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento. Apenas, acho que vocês estão correndo risco de encontrar alguém que não consigo entender o que estão fazendo e revidar à agressão. Até chego a arriscar-me a afirmar que vocês já encontraram esse tipo de pessoa, não é mesmo? Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada, jamais, poderá ser conseguido, em termos de evolução. Sob esse ponto de vista, a metodologia experimental que vocês imaginaram é tão boa quanto qualquer outra. Já encontraram alguém que não entendesse o que estão a fazer e igualmente reações hostis, não é mesmo? Por outro lado, como se trata de um aprendizado. Aceitar-me-iam como companheiro de jornada? Gostaria muito de adquirir novos conhecimentos. Posso ir com vocês?

- E se tudo o que dissermos for mentira? E se estivermos mal-intencionados? – perguntou-lhe o Mestre – Como reagiria a isso?

- Somente os loucos fazem coisas sem razão plausível. Sei, muito bem, distinguir um louco de um são e, definitivamente, tenho a mais cristalina das certezas de que vocês não são loucos. Logo, alguma razão vocês deverão ter para estarem agredindo gratuitamente as pessoas. Essa razão que me deram é tão boa e plausível como qualquer outra. Seja ela qual for, gostaria de seguir com vocês. Enfim, desejo aprender mais, cada vez mais, e esta é uma boa ocasião para isso. Não Acham?

Instantaneamente, tudo se desfez e logo estavam em outro ambiente, muito semelhante aos anteriores. O Mestre assim comentou:

- O homem do nível 4 já está bem distanciado dos afazeres mundanos. Já sabe que existem outros níveis mais baixos e mais elevados e está buscando apenas aprender mais e mais para evoluir, para tornar-se um sábio. Não é, em absoluto, um erudito (embora possa até mesmo possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos. Por outro lado, possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou as “muletas” há muito pouco tempo, talvez há um dia ou dois. Ainda sente falta delas, mas já compreendeu que o melhor mesmo é viver sem elas. Dentro de mais algum tempo, assim que se acostumar, de fato, a viver sem essas “muletas”, está plenamente começando a trilhar o caminho certo para os próximos níveis.

Mas vamos continuar com o nosso aprendizado. Repita a mesma coisa com esse que aí vem e vamos observar como reage um homem do nível 5.

O tapa estalou.

- Filho meu... eu bem mereci por não ter logo percebido que estavas necessitando de ajuda. Em que te posso ser útil?

- Não entendi... Afinal, dei-lhe um tapa. Não vai reagir?

- Na verdade, cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu?

- Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal...

- Então é nisso que te posso ajudar? Ajudar-te-ei com muita satisfação pedindo-te perdão por não haver logo percebido que desejavas aprender. É meritória tua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode adquirir. Somente por meio do saber o Homem se eleva. E se estás querendo aprender, só tenho elogios para te oferecer. Logo aprenderás a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou a fazer com vocês, neste momento. Ainda terás um longo caminho pela frente, mas se desejares, posso ser teu guia nos passos iniciais e te poupar de muitos transtornos e dissabores. Sinto-me perfeitamente capaz de guiar-te nos primeiros passos e fazer-te chegar até onde me encontro. Daí para diante, faremos o restante do aprendizado juntos. O que achas da proposta? Aceita-me como teu guia?

Instantaneamente a cena se desfez e logo se viram em outro caminho, um pouco mais agradável que os demais, e o Mestre assim se expressou:

- Quando um Homem atinge o nível 5, começa a entender que o ser humano comum é como uma espécie de adolescente que ainda não conseguiu se encontrar e, por esse motivo, como todo adolescente, é muito inseguro e, devido a essa insegurança, não sabe como pedir ajuda e agride a todos para chamar a atenção sobre si mesmo e pedir, então, a ajuda de que necessita. O Homem do nível 5 possui sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente, sem visar vantagens pessoais. Sabe ser humilde e reconhece que ainda tem muito a aprender para atingir níveis evolutivos mais elevados. E deseja partilhar gratuitamente seus conhecimentos com todos os seres humanos. Compreende que a maioria dos seres humanos usa “muletas” diversas e procura ajudá-los, dando-lhes exatamente aquilo que lhe é pedido, de acordo com a “muleta”que estão usando ou com o que lhes é acessível ao nível em que se encontram. A partir do nível 5, o ser humano adquire a faculdade de perceber em qual nível o seu interlocutor se encontra.

Agora, dê um tapa nesse homem que aí vem. Vamos vê como age o homem do nível 6.

E o buscador iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e lançou a mão ao seu rosto. Jamais entenderá como o outro, com um movimento quase instantâneo, desviou-se e sua mão atingiu o vazio.

- Meu filho querido! Por que queria ferir a si mesmo? Ainda não aprendeu que agredindo os outros você estará agredindo a si mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a Humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas uma pequena célula desse imenso organismo? Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo, um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização vai demorar e causará muito sofrimento?

- Mas estamos realizando um experimento para descobrir qual será a reação das pessoas a uma agressão gratuita.

- Por que você não aprende primeiro a amar? Por que, em vez de dar um tapa, não da um beijo nas pessoas? Assim, em lugar de causar-lhes sofrimento, estará demonstrando Amor. E o Amor é a Energia mais poderosa e sublime do Universo. Se aprender a lição do Amor, logo poderá ensinar Amor para todas as outras células da Humanidade, e tenho a mais concreta certeza de que, em muito pouco tempo, toda a Humanidade será um imenso organismo amoroso que distribuirá Amor por todo o Planeta e daí, por extensão, emitirá Amor para todo o Universo. Eu amo a todos como amo a mim mesmo. No instante em que você compreender isso, passará a amar a si mesmo e a todos os demais seres humanos da mesma maneira, e terá aprendido a Regra de Ouro do Universo: Tudo é Amor! A Vida é Amor! Nós somos centelhas do Amor! E por tanto amar você, jamais poderia permitir que você se ferisse, agredindo a mim. Se você ama uma criança, jamais permitirá que ela se machuque ou se fira, porque ela ainda não entende que se agir de determinada maneira perigosa irá ferir-se e sofrer. Você parará, não é mesmo? Você deverá aprender, em primeiro lugar, a lição do Amor, a viver o Amor em toda sua plenitude, pois o Amor é tudo e, se você está vivo, deve sua vida a um ato de Amor. Pense nisso, medite muito sobre isso. Dê amor gratuitamente. Ensine Amor com muito Amor e logo verá que tudo a seu redor vai ficar mais sublime, mais diáfano, pois você estará flutuando sob os influxos da Energia mais poderosa do Universo, que é o Amor. E sua vida será sublime.

Instantaneamente, tudo se desfez e se viram em outro ambiente ainda mais lindo e repousante do que este último em que estiveram. Então o mestre falou assim:

- Este é um dos níveis mais elevados o que pode chegar o Ser Humano em sua senda evolutiva, ainda na Matéria, no Planeta Terra. Um Homem que conseguiu entender o que é o Amor já é Homem Sublime, Inefável, quase Inatingível pelas infelicidades humanas, pois já descobriu a Verdade, mas ainda não a conhece em sua plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7. Logo você descobrirá isso.

Dê um tapa nesse homem que aí vem.

E o buscador pediu ao homem que parasse.

Quando seus olhares se encontraram, uma espécie de choque elétrico percorreu-lhe todo o corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, de profundo conhecimento de tudo que se relaciona à vida e um enorme sentimento de extrema segurança encheram todo o seu ser.

- Bata nele! – Ordenou o mestre.

- Não posso, Mestre, não posso...

-Bata nele! Faça um grande esforço mas terá que bater nele! Nosso aprendizado só estará completo se você bater nele. Faça um esforço e bata! Vamos! Agora!

- Não Mestre. Sua simples presença já é o suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais!

- Bate-me – disse o Homem, com muita suavidade -, pois só assim tu aprenderás tua lição.

- Não posso...Não posso... Não tem o menor sentido fazer isso...

- Então – tornou o Homem -, já aprendeste tua lição. Quem, dentre todos em quem bateste, a ensinou para ti? Reflete um pouco e responde.

- Acho que foram os homens do nível 1 ao nível 3. Agora, compreendo quão atrasados eles estão e quanto ainda terão que caminhar para conseguirem entender esse fato. Sinto por eles uma compaixão profunda. Estão de “muletas” e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples e muito fácil abandoná-las e que, se abandonarem, no preciso instante em que as jogarem fora, imediatamente começarão a progredir. Era essa a lição que eu deveria aprender?

- Sim, filho meu. Essa é penas uma das facetas do verdadeiro aprendizado. Ainda terás muito que aprender, mas já aprendeste a primeira e maior de todas as lições. Existe a Ignorância!! – Volveu o Homem com muita suavidade e convicção. – Mas ainda existem outras coisas mais que deves ter aprendido. O que foi?

- Aprendi, também, que é meu dever ensiná-los para que entendam que a vida está muito além daquilo que julgam ser importante – ou seja, suas “muletas”. Nos outros níveis, comecei a entender que para ensinar alguma coisa para alguém é preciso que tenhamos aprendido aquilo que vamos ensinar. Mas isso é um processo demorado demais...

- A Humanidade ainda é uma criança, mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar usar “muletas”. O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vindas individuais. O Importante é compreendermos que o tempo deve ser contado em termos cósmicos, universais. Se assim o fizermos, começaremos, então, a compreender que o Universo é um organismo imenso, ainda relativamente Nov e que também está fazendo seu aprendizado por intermédio de nós – seres vivos, conscientes e inteligentes que habitamos planetas disseminados por todo o Espaço Cósmico. Nossa vida individual só terá importância, mesmo, se conseguirmos entender, vivenciar este conhecimento, esta grande verdade: Somos todos uma grande equipe energética atuando nos mais diversos níveis energéticos daquilo que é conhecido como Vida e Universo.

- Mas assim sendo, para eu aprender tudo que necessito para poder ensinar meus irmãos, precisarei de muito mais que uma vida. Ser-me-ão concedidas mais vidas, além desta que agora estou vivendo?

- Mas só existe uma única vida e tu já a estas vivendo há milhões e milhões de anos e ainda a viverás por mais outros tantos nos mais diversos níveis. Já foste energia pura, molécula, vírus, bactéria, enfim, todos os seres que já apareceram na escala biológica. E ainda és tudo isso. Compreende filho meu, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

-Mas, sendo assim, então terei tempo de aprender tudo o que é necessário aos meus irmãos que ainda se encontram nos níveis 1, 2 e 3.

- E quem o terá, jamais, algum dia? Mas isso não tem a menor importância, pois tu já estás a ensinar o que aprendeste, nesta breve jornada mental. Já aprendeste que existem 7 niveis evolutivos possíveis aos seres humanos, aqui, agora, neste planeta Terra. O Autor desse conto conseguiu transmiti-lo, há alguns milênios, através da tradição oral, durante muitas e muitas gerações. O Autor deste livro, ao ler esse conto, há alguns anos, também aprendeu a mesma lição e agora está transmitindo a todos aqueles que vierem a ler este livro e, no final, todos os leitores, um dia, ensinarão essa lição a seus irmãos humanos. Compreendes, agora, que não será necessário mais do que uma única vida como um ser humano, neste planeta Terra, para que aprendas tudo e que possas transmitir esse conhecimento a todos os seres humanos, nos próximos milênios vindouros? É só uma questão de tempo, não concordas, filho meu? Agora, se quem der aprendizado tomar conhecimento e, assim mesmo, não desejar progredir, não quiser deixar de lado as “muletas” que está usando ou não quiser aceitar essa verdade tão cristalina, o problema e a responsabilidade já não serão mais teus. Tu e todos os demais que estão transmitindo conhecimento já cumpriram uma parte. Que os outros, os que deles estão tomando conhecimento,cumpram as suas. Para isso, são livres e possuem o discernimento e o livre-arbítrio suficientes para fazer suas escolhas e nada tens com isso. Entendeste, filho meu?”

Extraído do Livro: MILHOMENS, Newton. Esoterismo, Parapsicologia, Psicologia. 1994 ed. Ibrasa